Floresta em pé gera mais valor que desmatamento, aponta fundador da Amazonia Bio Group
Felipe Franzina, CEO e fundador da Amazonia Bio Group.
Crédito da Imagem: Divulgação
De acordo com o relatório do Banco Mundial, a floresta amazônica sem ser desmatada gera mais de US$ 317 bilhões por ano em serviços ecossistêmicos, considerando fatores como regulação climática, biodiversidade e disponibilidade hídrica. Para Felipe Franzina, CEO e fundador da Amazonia Bio Group, empresa que nasceu para conectar produtores amazônicos à indústria global de ingredientes funcionais, o desafio, no entanto, é transformar esse potencial em riqueza mensurável para o Brasil e mundo, mas principalmente para quem vive na região.
"Durante décadas, a lógica econômica da Amazônia esteve baseada na conversão da floresta para outras atividades produtivas ligadas ao desmatamento. O que estamos vendo agora é uma inversão desse modelo. À medida que o mercado global passa a valorizar ingredientes naturais rastreáveis, de alta qualidade e produzidos de forma sustentável, manter a floresta em pé deixa de ser apenas uma agenda ambiental e passa a ser uma estratégia de negócios, principalmente para aqueles que valorizam os nativos da região”, explica Felipe.
Esse debate ganha ainda mais relevância diante dos desafios da preservação do bioma. Embora a Amazônia tenha registrado uma queda de 17% no desmatamento no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), os dados de março acenderam um alerta, com alta de 17% na área desmatada em relação ao mesmo mês de 2025. “Mais do que exportar matérias-primas, empresas brasileiras vêm demonstrando que a biodiversidade pode gerar cadeias produtivas de alto valor agregado, capazes de conciliar desenvolvimento econômico, inovação e conservação ambiental”, complementa Franzina.
Esse modelo já apresenta resultados concretos. Em 2026, a Amazonia Bio Group mantém 72.870 árvores sob manejo sustentável e projeta ampliar esse estoque para 1.350.185 árvores até 2032, com base em cálculos técnicos e metas operacionais já estruturadas pela companhia. Além disso, a empresa estima ter contribuído para o sequestro acumulado de mais de 22 mil toneladas de CO₂ ao longo de mais de 10 anos de operação, cálculo realizado com base em fatores do IPCC AR6 e da Embrapa Florestas aplicados à produtividade média documentada. A companhia também afirma garantir aos extrativistas parceiros uma renda média 18,9% superior ao salário mínimo regional. Para a empresa, os indicadores demonstram que desenvolvimento econômico e conservação ambiental não precisam ser objetivos opostos, mas partes de uma mesma estratégia de crescimento.
“Nós colocamos um negócio de pé acreditando que não é necessário desmatar para fazer com que o mundo conheça o sabor da Amazônia. Mas para isso é preciso enfrentar um gargalo histórico da região que é a falta de infraestrutura para processar a produção. Em algumas regiões, entre 80% e 90% das frutas acabam se perdendo antes mesmo de chegar ao mercado por falta de processamento. Isso significa que o futuro da bioeconomia não depende apenas de produzir mais, mas de agregar valor na origem e construir cadeias produtivas que distribuam riqueza entre empresas, comunidades e floresta. Quanto maior o valor gerado por esses produtos, maior também o incentivo econômico para preservar o bioma", diz o CEO.
Para resolver essa dor, a companhia trabalha com cooperativas da região amazônica por meio de contratos de longo prazo, remuneração previsível e participação nos resultados da operação, criando incentivos econômicos para que a conservação da floresta seja também um bom negócio para quem vive dela.
Além do fortalecimento das comunidades extrativistas, o negócio também aposta na tecnologia da liofilização, processo de desidratação a frio amplamente empregado pela indústria farmacêutica e em aplicações aeroespaciais, capaz de preservar praticamente todas as propriedades nutricionais dos alimentos e ampliar significativamente sua vida útil.
“Quando incorporamos tecnologia à cadeia produtiva, conseguimos transformar um recurso que antes era descartado em ingredientes de alto valor agregado destinados às indústrias de alimentos, cosméticos e farmacêutica. É possível a qualidade e sabor, ao mesmo tempo que transformamos frutas altamente perecíveis em ingredientes premium com especificações exigidas pelos mercados internacionais”, finaliza Felipe.
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