| Em um ano repleto de incertezas no mercado global de fertilizantes, marcado por ataques recorrentes no Oriente Médio, pela redução do tráfego comercial no Estreito de Ormuz e pela indefinição quanto aos rumos da política externa norte-americana, um produto tem apresentado uma trajetória de preços relativamente protegida dos efeitos da guerra: o cloreto de potássio.
O produto foi o que menos sofreu com as turbulências nos preços e na oferta, em razão, sobretudo, da localização de alguns de seus principais fornecedores, como Rússia, Bielorrússia e Canadá. Juntos, esses países respondem por aproximadamente 75% das exportações mundiais de cloreto de potássio e estão distantes do epicentro do conflito entre os EUA e o Irã. Dessa forma, o comércio do fertilizante ficou menos exposto às dificuldades logísticas que afetam a navegação no Oriente Médio.
Entre janeiro e agosto de 2026, o Canadá foi o principal fornecedor de KCl ao Brasil, com participação de 39% nas importações do produto. A Rússia, por sua vez, respondeu por 31% das compras brasileiras no período.
Atualmente, o cloreto de potássio é negociado a preços muito próximos dos registrados no início de 2026 e apenas 5% acima dos observados no mesmo período de 2025. Nesse contexto, as cotações não representam, neste momento, um obstáculo para os importadores.
Além disso, em contraste com o mercado de ureia, que vem apresentando tendência de alta nas últimas semanas, o segmento de potássio mostra sinais de fraqueza. As cotações do KCl nos portos brasileiros recuaram por nove semanas consecutivas e acumularam desvalorização de pouco menos de 10%.
Há, contudo, razões conhecidas para essa fraqueza das cotações. Os compradores brasileiros não têm demonstrado urgência nas aquisições, uma vez que o avanço do plantio da soja indica o encerramento da janela de importação vinculada à alta temporada de compras. O país, portanto, atravessa um período de desaceleração nas aquisições desse fertilizante. Além disso, até o momento, não há problemas de oferta que gerem preocupação significativa entre os agentes do mercado, fator que também contribui para o desaquecimento das negociações.
A fraqueza dos preços no mercado de potássicos é uma boa notícia para os agricultores brasileiros, especialmente para os produtores de milho que ainda precisam adquirir insumos para a próxima safrinha. Relações de troca favoráveis e preços estáveis facilitam o planejamento dessas compras." Comentário sobre o mercado de fertilizantes de Tomás Pernías , analista de Inteligência de Mercado - StoneX |
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