A Confederação Nacional da Indústria (CNI)lança, nesta sexta-feira (22), levantamento inédito que identifica mais de 60 iniciativas, nacionais e internacionais, dedicadas a créditos de biodiversidade. O material funciona como um guia para o setor produtivo em um contexto em que a conservação ambiental passa a representar também vantagem reputacional e competitiva no mercado.
Continua após a publicidade
Mas o que são créditos de biodiversidade?
Continua após a publicidade
A biodiversidade e os ecossistemas prestam serviços essenciais à economia e à sociedade, como regulação do clima, polinização, controle de pragas, oferta de água, fertilidade do solo e estabilidade hidrológica. Esses processos sustentam atividades produtivas e contribuem para a segurança alimentar, energética e hídrica. Diante do rápido declínio desses sistemas naturais e da crescente necessidade de financiamento para conservação, surgem instrumentos que transformam resultados ambientais positivos em ativos financeiros.
Continua após a publicidade
Para o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, o engajamento empresarial nesse mercado é essencial para consolidar o protagonismo do Brasil na agenda ambiental global.
Continua após a publicidade
“O levantamento mostra que os créditos de biodiversidade podem apoiar projetos com resultados mensuráveis para a natureza e incentivar a indústria a incorporar a conservação como ativo de competitividade e financiamento para os ecossistemas brasileiros”, explica.
Continua após a publicidade
Diferença entre créditos de biodiversidade e de carbono
Continua após a publicidade
O mais conhecido é o crédito de carbono, mas cresce o mercado de biodiversidade, destinado diretamente à proteção da natureza. Embora ambos sejam mecanismos financeiros baseados em ativos naturais, têm objetivos distintos.
Continua após a publicidade
Os créditos de biodiversidade financiam ganhos ecológicos mensuráveis a partir de ações de conservação ou restauração. Cada unidade representa melhorias verificáveis, como recuperação de habitats, conexão entre áreas naturais ou proteção de espécies, acompanhadas ao longo do tempo.
Continua após a publicidade
Eles podem ser produzidos por governos, organizações, proprietários de terra ou empresas voltadas à conservação. O setor produtivo pode adquiri-los para financiar projetos e cumprir metas próprias, de forma semelhante ao uso de créditos de carbono para compensar emissões. No entanto, a lógica não é apenas neutralizar danos, mas melhorar a saúde dos ecossistemas por meio de investimentos em conservação e restauração.
Continua após a publicidade
Oportunidades no Brasil
Continua após a publicidade
O estudo mostra que o país já abriga iniciativas relevantes. Entre os exemplos estão projetos de proteção da onça-pintada no Pantanal, desenvolvidos pela ERA Brasil e pelo Instituto Homem Pantaneiro, que emitem créditos associados à conservação da espécie.
Continua após a publicidade
Na agricultura, a BASF Agricultural Solutions desenvolve o Nature-Positive Credit dedicado à produção sustentável. Outras iniciativas, como Bluebell Index e BMV Global, oferecem unidades de sustentabilidade e tokens baseados em resultados de preservação e restauração no território brasileiro.
Continua após a publicidade
O debate sobre créditos de biodiversidade avançou nos fóruns internacionais. Na COP15 da Convenção sobre Diversidade Biológica, realizada em Kunming-Montreal em 2022, 196 países adotaram o Quadro Global de Biodiversidade, que estabelece metas ambiciosas até 2030 e reforça a inclusão do tema nas políticas públicas, nos mercados e na cooperação internacional.
Continua após a publicidade
O acordo também reconhece a necessidade de ampliar o financiamento para conservação, com mobilização de pelo menos US$ 200 bilhões por ano. Entre os instrumentos apontados para ajudar a fechar essa lacuna estão os créditos de biodiversidade.
Continua após a publicidade
Ferramenta para empresas
Continua após a publicidade
Além de mapear projetos, a publicação da CNI cita metodologias de mensuração, certificação e plataformas de negociação, permitindo que as empresas incorporem riscos e oportunidades relacionados à natureza nos relatórios de sustentabilidade e atendam às exigências de investidores e iniciativas internacionais, como a Science Based Targets Network.
Continua após a publicidade
No campo da mensuração, o levantamento identifica duas abordagens predominantes. A primeira mede as ações implementadas (input-based), como plantio de espécies nativas, controle de invasoras ou manejo sustentável. Iniciativas como o Crédito LIFE de Biodiversidade e o Biodiversity Action Credit seguem essa lógica.
Continua após a publicidade
A segunda abordagem mede resultados para a natureza (outcome-based), considerada mais robusta. Nesse modelo, o crédito só é emitido quando há melhoria comprovada, como aumento populacional de espécies ou recuperação de habitats. Programas como Plan Vivo Biodiversity Certificates, BioCarbon Standard e SD VISta Nature Framework usam indicadores ecológicos para comprovar esses ganhos.
Continua após a publicidade
Os indicadores variam conforme o ecossistema e podem incluir:
Continua após a publicidade
- espécies protegidas ou recuperadas;
- qualidade e extensão de habitats;
- integridade do ecossistema;
- serviços ecológicos associados.
Continua após a publicidade
Na etapa de certificação, os esquemas combinam validação científica, auditoria independente e sistemas de mensuração, reporte e verificação (MRV). Há padrões reconhecidos internacionalmente, como:
Continua após a publicidade
- Verra SD VISta Nature Framework;
- Plan Vivo Foundation;
- Accounting for Nature;
- Cercarbono Biodiversity Certification Programme.
Continua após a publicidade
Em muitos casos, são exigidas adicionalidade ambiental e participação de comunidades locais ou povos indígenas, assegurando credibilidade socioambiental.
Continua após a publicidade
Quanto à negociação, o mercado ainda é principalmente voluntário e funciona em três formatos principais:
Continua após a publicidade
- marketplaces digitais que conectam compradores e projetos;
- registros ambientais que organizam emissão e rastreabilidade dos créditos;
- modelos híbridos que associam ativos ambientais a instrumentos digitais ou financeiros, ampliando a liquidez e atraindo investidores.