MMGD irregular, Angra 3 sem decisão e infraestrutura elétrica desafia expansão de data centers
O setor elétrico brasileiro inicia esta quarta-feira (24) marcado pelo adiamento de decisões estratégicas, novas evidências sobre irregularidades na micro e minigeração distribuída (MMGD) e sinais de que a expansão da infraestrutura elétrica será determinante para a competitividade do país na economia digital.
ANEEL identifica irregularidades em usinas de geração distribuída
As primeiras fiscalizações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) voltadas ao combate de alterações não autorizadas em sistemas de micro e minigeração distribuída apontaram que 59% das unidades inspecionadas apresentaram algum tipo de irregularidade.
Apesar da elevada incidência proporcional, a potência efetivamente irregular encontrada soma cerca de 88 MW, equivalente a apenas 0,31% da capacidade instalada dos grupos fiscalizados, número bastante inferior aos cerca de 15 GW inicialmente estimados como potencialmente passíveis de investigação.
As informações constam de nota técnica elaborada com dados fornecidos por 19 distribuidoras de energia.
CNPE adia discussão sobre Angra 3
O Ministério de Minas e Energia cancelou a reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), prevista para esta terça-feira, que analisaria temas relevantes para o setor energético.
Entre os assuntos retirados da pauta estava a proposta de resolução que permitiria a repactuação das dívidas da Eletronuclear relacionadas à conclusão de Angra 3, incluindo a suspensão temporária de pagamentos.
Segundo informações de bastidores, representantes da Casa Civil solicitaram ajustes na redação da proposta. Oficialmente, o MME informou que o cancelamento ocorreu por “questão de agenda” e ainda não definiu nova data para a reunião.
Além de Angra 3, também seriam debatidas alterações na política de comercialização do gás natural da União e o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina.
Data centers priorizam energia disponível, não tarifa
O crescimento acelerado dos data centers continua pressionando a expansão da infraestrutura elétrica brasileira.
Segundo Glauco Freitas, presidente da Hitachi Energy no Brasil, investidores do segmento priorizam a disponibilidade da rede elétrica muito mais do que o preço da energia.
De acordo com o executivo, a infraestrutura elétrica representa aproximadamente 1,5% do investimento total de um data center, tornando a confiabilidade do fornecimento fator decisivo para novos empreendimentos.
Freitas também avalia que o Brasil perdeu parte da primeira onda global de investimentos em data centers, mas ainda pode aproveitar a segunda, desde que avance na segurança regulatória e na expansão da infraestrutura de transmissão.
Porto de Suape inaugura terminal totalmente eletrificado
A APM Terminals inaugurou, no Complexo Industrial Portuário de Suape (PE), o primeiro terminal de contêineres 100% eletrificado da América Latina.
Embora a eletrificação reduza emissões e o uso de combustíveis fósseis, a empresa estima que o consumo de energia elétrica seja 20% a 30% superior ao de um terminal convencional, em razão da concentração da demanda em equipamentos elétricos de grande porte.
Light avança para encerrar recuperação judicial
A Light concluiu captação de R$ 1,24 bilhão e projeta encerrar sua recuperação judicial entre setembro e outubro deste ano.
Segundo o presidente Alexandre Nogueira, a reestruturação financeira prevê capitalização entre R$ 3,2 bilhões e R$ 3,7 bilhões, consolidando a recuperação da distribuidora que atende 31 municípios do Estado do Rio de Janeiro.
Mercado
Entre os destaques econômicos do setor:
Novembro Segurança jurídica, mercado de carbono e transição sustentável: os desafios ambientais do Brasil no novo ciclo político
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