◆ COLUNA VERDE DOLLAR
Agosto de 2019. A Amazônia queima e Felipe Neto cobra os colegas de internet. Custa postar alguma coisa? Quem tem voz, disse ele, tem obrigação de alertar. Silêncio virou cumplicidade. Regra dada, e dada por ele.
E a cobrança aos influenciadores mudos? Não veio com o mesmo volume. E não se levanta pela floresta com a mesma urgência de 2019.
Some-se o resto. Patrimônio construído no mercado, não no orçamento. Barra da Tijuca. Clube patrocinado. Nas próprias palavras, a vontade eventual de esquecer tudo e ir curtir o patrimônio. Nada disso é ilícito, e ninguém precisa fazer voto de pobreza para defender a floresta.
O problema nunca foi o dinheiro. Foi a régua. Quem transforma o silêncio alheio em crime moral assina um contrato: passa a ser cobrado pelo próprio.
Há dois verdes em disputa. Um cobre o solo. O outro é o que sobra ao fim do mês — de patrocínio, de engajamento, de audiência. O segundo tem calendário eleitoral. O primeiro, não.
