Ciência Cidadã
Da janela de casa, muita gente não imagina, mas é possível contribuir e muito com pesquisas voltadas à conservação da biodiversidade. Os avistamentos do macaco guigó (Callicebus melanochir), por exemplo, feitos pela população, que vive entre Salvador/BA, Linhares/ES e Joaíma/MG são valiosos para pesquisadores do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicos. Até o momento, já são cerca de 40 registros que se transformaram em material para subsidiar a pesquisa científica.
Quem vive ou passa por uma área em que avista guigós, ainda pode participar. O formulário segue aberto até 28 de agosto pelo link: https://bit.ly/_guigo O projeto também tem utilizado como fonte, as fotos do iNaturalist, uma plataforma de ciência comunitária que consolida os registros dos usuários para utilização de cientistas, conservacionistas e pesquisadores ao redor do mundo.
Os resultados dessa fase inicial do projeto com foco na Ciência Cidadã serão apresentados pelos pesquisadores do IPÊ no Simpósio Engajando comunidades: A Ciência Cidadã como Aliada na Conservação de Primatas, em Foz do Iguaçu/PR. O evento integra a programação oficial do VI Congresso Latino-Americano de Primatologia, que será realizado de 30 de novembro a 05 de dezembro. “Vamos abordar os impactos que a ciência cidadã teve e continua tendo na conservação do Guigó”, pontua o pesquisador.
Chamado por Dados Técnicos
Profissionais, pesquisadores e estudantes também estão comprometidos com o projeto que vem reunindo dados técnicos com registros do guigó, ainda que o foco do trabalho tenha sido outra espécie. Até o momento, os pesquisadores do IPÊ contam com 57 registros. Essa ação é conhecida como Chamado por Dados Técnicos. São materiais produzidos tanto por pesquisadores, quanto por consultores e estudantes. Além de teses e artigos também fazem parte das publicações-alvo, inventários e relatórios de consultoria ambiental, incluindo materiais não publicados. Toda informação sobre a espécie conta, por mais sucinta que seja. Ainda dá tempo de enviar o seu material para: guigo@ipe.org.br com Assunto: “Guigó Detectado – Trabalho Acadêmico” até 15 de setembro.
Exemplos de trabalhos para o Chamado por Dados Técnicos
1. Iniciação Científica
2. TCC
3. Mestrado
4. Doutorado
5. Levantamentos ambientais
6. Inventários florestais, faunísticos ou ecológicos
7. Outros estudos de campo
As áreas de estudo do trabalho deverão estar localizadas entre:
1. O sul do Rio Paraguaçu, região Sul da Bahia;
2. O norte do Rio Doce, em Linhares, extremo Norte do Espírito Santo;
3. O extremo leste de Minas Gerais, entre Grão Mogol e o litoral.
Em caso da área de estudo não ter descrição formal e clara no projeto, as coordenadas do registro podem ser incluídas no corpo do texto do e-mail.
Parcerias
Maria Otávia Crepaldi, coordenadora do Projeto Guigó, destaca a importância das parcerias para avanços na conservação da biodiversidade. “Neste projeto fica muito evidente como as articulações com empresas e a mobilização da comunidade local são essenciais para a ciência. O acesso às duas áreas é primordial para coletarmos dados em dois contextos distintos, nossa análise será feita a partir delas. O compartilhamento de dados por pesquisadores e profissionais de campo têm viabilizado a consolidação de um banco de dados. Com a participação da comunidade, seja por meio da plataforma iNaturalist ou ainda do preenchimento do formulário, conseguimos saber onde o guigó está presente e as características desses fragmentos; dessa forma será possível entendermos quais ações são mais estratégicas para a conservação da espécie”.