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Transição Energética Sustentalks

Natascha Schmitt: O ‘Terremoto de Davos’

Revela Tensões na Transição Energética Global

25/01/2026 06h37 Atualizada há 9 meses atrás
Por: Redação Fonte: Sustentalks/Natascha Schmitt
Natascha Schmitt/Congresso do Ibrades - 2023
Natascha Schmitt/Congresso do Ibrades - 2023

O ‘Terremoto de Davos’ Revela Tensões na Transição Energética Global

Salvador, 25 de janeiro de 2026 – No coração das discussões do Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, na Suíça, uma metáfora sísmica ganha destaque: o “terremoto de Davos”. Esse termo, utilizado no SustenNews especial do podcast SustenTalks, ilustra as profundas movimentações tectônicas que estão remodelando a transição energética mundial. Em meio a debates acalorados sobre energia renovável, segurança nacional e geopolítica, o evento expõe como interesses nacionais estão eclipsando a cooperação global no combate às mudanças climáticas.

O SustenNews, edição dedicada a Davos 2026, destaca uma “guerra” na transição energética, onde potências globais disputam influência e autossuficiência. A China emerge como líder incontestável, posicionando-se como a base industrial e financeira para a expansão de energias limpas. Com uma delegação de alto nível, Pequim reforça seu papel em tecnologias renováveis, como baterias e componentes solares, contrastando com críticas ocidentais sobre dependência excessiva.

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Do outro lado, Estados Unidos e Europa aceleram estratégias de segurança energética. Os EUA, sob influência de figuras como Donald Trump, questionam a viabilidade da transição renovável. Trump, em declarações no fórum, rotulou a ênfase em energias limpas como algo que “apenas perdedores fazem”, desviando o foco para a energia nuclear – uma fonte de baixa emissão de carbono, mas não renovável. Essa mudança retórica prioriza a autossuficiência nacional em detrimento de metas coletivas de redução de emissões, como previsto no Acordo de Paris.

Dados apresentados no debate contrariam parte dessa narrativa: em 2025, a energia eólica já representava 11-12% da eletricidade na América do Norte e 13% na China, sinalizando um avanço irreversível na infraestrutura elétrica global. No entanto, o redirecionamento para a nuclear e a ênfase em segurança energética nacional enfraquecem a agenda climática unificada.

João Gabriel Jati Fernandes, em comentário no LinkedIn sobre o tema, atribui o esvaziamento da agenda climática global às políticas protecionistas de Trump. “O esvaziamento vem em conjunto com medidas de esvaziamento dos órgãos multilaterais, tarifas e ameaças às soberanias nacionais”, afirmou Fernandes. Essa imprevisibilidade criou um cenário de insegurança diplomática e econômica, desviando o foco da cooperação para disputas geopolíticas de poder – algo não visto desde o fim da União Soviética.

Especialistas em Davos alertam que esses “choques simultâneos” – econômicos, geopolíticos e climáticos – mudam as regras do jogo para governos e empresas. A transição energética, outrora vista como um esforço coletivo, agora se fragmenta em batalhas nacionais, com riscos de atrasos na descarbonização global.

Para Natascha Schmitt, autora do post no LinkedIn que viralizou o debate, o “terremoto de Davos” é uma oportunidade para expor essas dinâmicas subterrâneas. “Está expondo a movimentação tectônica que envolve a transição energética mundial”, escreveu ela, convidando a uma reflexão mais profunda sobre sustentabilidade.

Em um mundo onde a sustentabilidade está em pauta, o fórum de Davos 2026 serve como lembrete: a transição energética não é apenas técnica, mas profundamente política. Países como o Brasil, com seu potencial em biocombustíveis e renováveis, precisam navegar essas tensões para não ficarem à margem dessa “guerra” global.

www.Sustentalks.com.br

Fonte: SustenTalks Podcast

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