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Sustentabilidade sem alarmismo Cop 30 na Amazôni

Tudo sobre a Cop

Uma retrospectiva prospectiva

17/12/2025 21h48
Por: Redação Fonte: Georges Humbert para A Tarde
Divulgação / Belém-Pa
Divulgação / Belém-Pa

Tudo sobre a Cop30

A COP30, Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada em Belém, no Pará, entre 10 e 21 de novembro de 2025, representou um marco crucial na agenda climática internacional, com o Brasil assumindo um papel central como ponte entre o Norte Global e o Sul Global. Sob a liderança do presidente Lula, o evento enfatizou temas como bioeconomia, multilateralismo e justiça social, posicionando o país como defensor de uma transição climática que considera as realidades dos povos amazônicos e das nações em desenvolvimento. A cobertura do evento destacou não apenas os avanços concretos alcançados, mas também as frustrações, contradições e a importância de um olhar pragmático sobre a crise climática. As negociações devem priorizar o desenvolvimento econômico sustentável e a erradicação da pobreza em países emergentes, evitando que o alarmismo climático sirva de pretexto para frear o progresso dessas nações. De acordo com análises pós-conferência, a COP30 demonstrou que a cooperação climática permanece viva, mantendo a humanidade na luta por um planeta habitável e reforçando o compromisso com o limite de 1,5°C do Acordo de Paris, embora com divisões evidentes que persistem além do evento.

Desde os primeiros dias, a conferência surpreendeu pela adoção rápida da agenda, o que permitiu um foco imediato em áreas críticas como adaptação às mudanças climáticas, finanças climáticas e transição energética justa. Iniciativas conectaram decisões globais à realidade local, como o Plano de Ação de Saúde de Belém, que aborda o alarmante aumento de 63% nas mortes relacionadas ao calor desde os anos 1990, propondo medidas integradas de saúde pública e adaptação urbana. Outra conquista foi a Declaração de Belém sobre Justiça Climática, endossada por 44 nações, que prioriza os direitos indígenas, o financiamento para comunidades vulneráveis e a integração de perspectivas do Sul Global nas políticas climáticas. O Fundo para Florestas Tropicais Eternas, lançado com um aporte inicial de US$ 125 bilhões, representa uma forma inovadora de recompensar a conservação ambiental sem commoditizar a natureza, incentivando mecanismos de pagamento por serviços ecossistêmicos que beneficiem diretamente povos tradicionais. No entanto, críticas apontam para a insuficiência do fundo global de US$ 300 bilhões anuais para perdas e danos, muito aquém dos trilhões demandados por nações vulneráveis, como ilhas do Pacífico e países africanos. Além disso, a ausência de liderança efetiva dos Estados Unidos, as divisões internas na União Europeia e a relutância da China em adotar metas absolutas de redução de emissões refletem tensões geopolíticas que minam o multilateralismo. Análises indicam que, apesar de novas e mais fortes promessas climáticas, há muito mais a ser feito para transformar compromissos em resultados concretos, especialmente na adaptação e na eliminação gradual dos combustíveis fósseis.

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No décimo dia da COP30, coincidente com um feriado nacional no Brasil, a atmosfera estava carregada de expectativas não plenamente atendidas, com negociações avançando lentamente em meio a protestos e manifestações por justiça climática. Milhares se reuniram em Belém para exigir proteção de territórios e ações governamentais mais robustas, destacando a urgência de medidas contra o desmatamento e a poluição. Promessas verdes, como a Tropical Forest Forever Facility (TFFF), financiada com 1 bilhão de euros pela Alemanha, foram celebradas como passos positivos para a preservação de florestas tropicais, mas contrastaram com hipocrisias evidentes, como a continuidade das emissões de CO2 pela indústria alemã de carvão e automóveis. Avanços em direitos indígenas, incluindo a demarcação da Terra Indígena Comexatibá na Bahia, representam vitórias simbólicas, mas sem políticas sociais e econômicas complementares – como programas de geração de renda e educação –, tais medidas podem gerar conflitos locais e comprometer a sustentabilidade de longo prazo. Controvérsias culturais também marcaram o evento, como reações a uma instalação artística chinesa acusada de blasfêmia por grupos religiosos, ilustrando o caos onde egos nacionais, lobbies corporativos e agendas paralelas frequentemente ofuscam o foco principal nas mudanças climáticas.

Um debate central foi o conceito de “racismo ambiental”, incorporado na Declaração de Belém, adotada em 7 de novembro e apoiada por países como Brasil, Colômbia, China e África do Sul. Esse enquadramento é visto como um equívoco conceitual: as desigualdades ambientais são fundamentalmente sociais e econômicas, enraizadas na pobreza, no legado colonial e em dinâmicas de mercado, e não em um viés racial deliberado. Estudos como o de Douglas L. Anderton (1994), que questiona a correlação direta entre raça e localização de poluentes nos EUA, e relatórios do IPCC que enfatizam fatores socioeconômicos, indicam que instalações poluidoras se instalam em áreas pobres devido a custos mais baixos de terra e mão de obra, gerando empregos independentemente da composição racial das comunidades. Focar excessivamente em raça polariza o debate, desvia recursos de soluções práticas como investimentos em saúde pública, infraestrutura resiliente e prosperidade econômica inclusiva, e complica juridicamente a luta por justiça, já que provar intenção discriminatória é extremamente desafiador em tribunais internacionais.

Vozes dissonantes ecoaram ao longo da COP30, questionando o consenso científico dominante e o alarmismo climático, visto como um mecanismo sutil para travar o crescimento econômico de países em desenvolvimento, afetando setores como mineração, agronegócio e energia. Delegações céticas, incluindo de nações petrolíferas, defenderam o uso contínuo de combustíveis fósseis como essencial para a segurança energética, a produção de alimentos e a geração de riqueza necessária para combater a miséria extrema. Apesar disso, o eixo principal das negociações foi o abandono gradual dos fósseis, com mais de 80 países apoiando o plano brasileiro alinhado ao limite de 1,5°C. A presença de cerca de 1.600 lobistas da indústria de petróleo destacou as contradições inerentes, e o Brasil foi criticado por equilibrar sua soberania energética – como na exploração de óleo na Foz do Amazonas – com ambições climáticas globais. Análises de meio de conferência apontaram um otimismo cauteloso da sociedade civil, após COPs anteriores marcadas por decepções, mas enfatizaram a necessidade de avanços concretos em financiamento e adaptação.

No setor energético, o papel da Neoenergia como patrocinadora ouro da COP30 promoveu a eletrificação como pilar da descarbonização. Iniciativas como o projeto Noronha Verde, com investimentos de R$ 350 milhões para descarbonizar completamente Fernando de Noronha até 2027 por meio de energias renováveis e armazenamento, exemplificam essa transição. Além disso, usinas de hidrogênio verde no Nordeste brasileiro e investimentos previstos de R$ 30 bilhões até 2028 em redes de distribuição inteligentes e digitalização de infraestrutura foram citados como modelos escaláveis. Programas sociais, como a Escola de Eletricistas, que capacita jovens de comunidades vulneráveis, reforçam a inclusão social na transição energética, enquanto parcerias internacionais visam triplicar a capacidade de energias renováveis globais até 2030, alinhando-se aos objetivos do Acordo de Paris.

A África do Sul emergiu como uma voz proeminente pelo Sul Global, posicionando-se como ponte para as demandas africanas e defendendo um financiamento anual de US$ 1,3 trilhão para mitigação e adaptação, priorizando uma transição justa que crie empregos verdes e garanta equidade no acesso a minerais críticos como platina, lítio e cobalto. Nações africanas, responsáveis por menos de 4% das emissões históricas globais, sofrem impactos desproporcionais, como secas prolongadas e inundações, exigindo doações em vez de empréstimos onerosos que perpetuam dívidas.

Salvador, capital da Bahia, destacou-se como uma referência urbana na luta climática, sendo a única cidade latino-americana a reduzir 30% de suas emissões de gases de efeito estufa nos últimos anos, com planos ambiciosos para alcançar a neutralidade carbônica até 2049. Projetos como o Corredor Verde, que integra arborização urbana com mobilidade sustentável, e o Mané Dendê, que promove economia circular em bairros periféricos por meio de reciclagem e agricultura urbana, servem de inspiração para outras cidades do Sul Global, demonstrando como ações locais podem complementar negociações internacionais.

Refletindo sobre a evolução desde a Rio+20 em 2012 até a COP30, avanços significativos incluem a redução de 50% no desmatamento amazônico desde 2022 graças a políticas de fiscalização reforçadas, mas há alertas para o deslocamento do problema ao Cerrado, onde o agronegócio expande sem freios, e incoerências como a concessão de licenças para exploração petrolífera. Protestos de indígenas e ativistas, incluindo figuras como Greta Thunberg, foram vistos como extremistas e hipócritas, ignorando os créditos ecológicos acumulados pelo Brasil – como a preservação de vastas áreas florestais – e os déficits sociais profundos, como fome e desigualdade, que demandam equilíbrio entre ambientalismo e desenvolvimento humano.

No balanço final, a COP30 encerrou em uma paralisia parcial, simbolizada por um incêndio acidental na Zona Azul que interrompeu negociações cruciais, expondo fragilidades políticas em temas como financiamento climático, atualização de metas nacionais determinadas (NDCs) e a transição dos combustíveis fósseis. Avanços notáveis incluíram compromissos de US$ 1 trilhão para modernização de redes elétricas globais, a proteção de 210 milhões de hectares de ecossistemas críticos e medidas de resiliência beneficiando 437 milhões de pessoas em regiões vulneráveis, mas desafios persistiram: o roteiro para eliminação dos fósseis foi excluído do texto final devido a oposições, o financiamento permaneceu inadequado para as necessidades reais, e as negociações se estenderam além do prazo, refletindo decepções e lacunas. Críticas apontam para radicalismos que desconsideram questões como fome, desemprego e pobreza extrema, defendendo que a transição climática deve priorizar a dignidade humana acima do alarmismo ideológico. Para o Brasil, a conferência em Belém reforçou sua liderança regional, mas exige coerência interna: sem financiamento justo, inclusão social e mecanismos de verificação, os avanços correm o risco de evaporar. Afinal, a integridade da informação climática deve ser tratada como um direito humano fundamental, pautada em ciência rigorosa e transparência absoluta, transformando promessas diplomáticas em ações concretas para um futuro verde, equitativo e realista. 

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